
Publicitária e campeã paralímpica de bocha, Evani Calado tem um canal no YouTube onde compartilha seu dia a dia, beleza, acessibilidade e convivência com a paralisia cerebral.
Quem foi que disse que as mulheres com deficiência não cuidam de seu corpo e aparência? Elas podem e devem ser vistas como mulheres iguais a todas as outras que buscam sua vaidade, como é o caso da publicitária e campeã paralímpica de bocha Evani Calado, de 30 anos, nossa Penélope Charmosa, que tem um canal no YouTube.
"Meu objetivo com o canal é mostrar meu dia-a-dia para as pessoas e que é possível fazer o que você quer sozinho(a) e que o mínimo que você conseguir fazer já é uma grande vitória", revela.
Nascida em Garanhuns, no interior de Pernambuco, em 29 de novembro de 1989, Evani desde cedo sempre foi acostumada a passar por muitas mudanças, tratamentos, lutas diárias, mas sem nunca descuidar da beleza. "Minha relação com a beleza começou desde pequeninha. Tenho fotos pequena com batom que eu pegava da minha mãe e passava batom forte. Sempre fui vaidosa", conta.
Desde que nasceu, Evani não vinha tendo o mesmo desenvolvimento motor esperado para crianças com a mesma idade que ela. Por isso, com apenas 6 anos de idade, viu-se obrigada a começar sua trajetória de mudanças de cidade e de estado.
A primeira mudança foi para Campinas, no interior de São Paulo, onde ela realizou tratamento fisioterapêutico na UNICAMP por 1 ano. Após esse período, ela e sua família retornaram para o estado de São Paulo, desta vez para a capital, para iniciar um novo tratamento por três anos e, enfim, puderam descobrir o diagnóstico de Evani: paralisia cerebral com luxação do quadril bilateral.
Na cidade paulista, Evani pôde concluir os estudos, conhecer e praticar a bocha, criar seu canal no YouTube e concluir sua graduação em Publicidade e Propaganda.
Criado em 25 de maio de 2009, quando ainda estava no Ensino Médio, o canal foi completamente ideia dela, mas teve muita influência de seu bisavô, avô e pai, ambos fotógrafos.
"Com o blog mostro que eu consigo fazer as coisas, apesar das minhas dificuldades. Minha paralisia cerebral é severa, apesar de meu cognitivo ser preservado, mas o pouco de coordenação motora fina que eu tenho, já me permite fazer um delineado, passar um lápis, um batom. E me sentir bem com isso, porque acho que quando a gente faz algo para nós mesmos é uma forma de levantar nossa autoestima, de exercitar-se, por mínimo que seja o movimento. Isso é muito gratificante e prazeroso", conclui Evani.
