
Atleta de Futebol em Cadeira de Rodas (Power Soccer), Daiane do Espírito Santo Nascimento tem 30 anos e, desde pequena, foi diagnosticada com Polineuropatia, tornando-se cadeirante aos 10 anos. Conheça sua história de superação e alegria.
Hoje, vamos falar da atleta de Futebol em Cadeira de Rodas — também conhecido como Power Soccer —, que foi entrevistada em nosso Instagram @newbeingnews. Natural do estado do Ceará (CE), Daiane do Espírito Santo Nascimento tem 30 anos e, desde pequena, foi diagnosticada com uma condição rara: a Polineuropatia, a qual lhe impediu de andar e a tornou cadeirante aos 10 anos de idade.
No entanto, isto não foi motivo para que ela desistisse de levar uma vida normal, terminar os ensinos Médio e Fundamental e de ter uma rotina igual a das outras crianças e adolescentes. Para isso, contou com a ajuda frequente de familiares, amigos, vizinhos e de sua força interior e sua resiliência para vencer os desafios impostos por sua deficiência.
"Ao parar de andar aos 10 anos, não senti raiva e nem mágoa da vida. Graças a Deus continuei minha vida normal e não deixei minha deficiência me impedir de viver. Pelo contrário, só me fez ter vontade de lutar, de querer vencer e de derrubar os obstáculos que encontrei em meu dia-a-dia", narra.
Antes de conhecer e se encontrar no Power Soccer, Daiane passou pelo Basquete em Cadeira de Rodas e pela Natação. O Basquete veio primeiro, quando ela tinha 23 anos. Sentiu-se encantada pelo esporte e participou dele durante dois anos. Em seguida, por não poder acompanhar o ritmo das outras jogadas, devido a um agravamento de sua condição física, Daiane decidiu migrar para a natação, porém não conseguiu se adaptar.
Foi nesse cenário de incerteza que, em 2014, ela finalmente conheceu o Futebol em Cadeira de Rodas, através do professor de Educação Física David Xavier, e não saiu mais, tendo participado de inúmeros campeonatos desde então.
Em sua carreira como goleira do Futebol em Cadeira de Rodas, destacam-se as participações nos campeonatos brasileiros de 2014, 2016, 2017, 2018 e 2019 — campeonato em que sua equipe conquistou o vice-campeonato e a vaga na próxima edição da Copa Powerchair Libertadores — pelo Fortaleza Power Soccer, e a sul-americana e as Eliminatórias pela Seleção Brasileira, em que foi a única mulher convocada, em 2017 e 2019, respectivamente.
"Participar do futebol em cadeira de rodas e, ainda por cima, ser a única mulher do time, tem sido muito maravilhoso e gratificante para mim. Sou muito grata ao professor David por ter me apresentado o esporte e por deixar eu participar. Para mim, ele é uma espécie de segundo pai aqui na Terra. Sempre muito querido e amado", revela.
Além de permitir que ela pudesse treinar e competir em torneios nacionais e internacionais, o Power Soccer também foi decisivo para a melhora da autoestima de Daiane e para que ela se sentisse incluída em um novo grupo.
"No esporte, pude fazer novas amizades, principalmente com pessoas com deficiência, oportunidade que eu nunca havia tido. Conhecer o dia-a-dia dessas pessoas foi motivador pra mim, uma vez que pude ver que eu posso muito mais do que imagino. Foi algo que me incentivou a ser cada vez mais persistente", celebra.
Hoje em isolamento social, devido à pandemia do novo coronavírus, e sem treinos presenciais, Daiane viu-se obrigada a utilizar essa motivação e incentivo que teve ao longo dos anos de Power Soccer pra reinventar-se e manter a mente sã nesse período difícil.
"O recado que dou é que venham, participem, não desistam e agarrem esta oportunidade. Caso não se adaptem ao seu primeiro esporte, continuem buscando até encontrar outro que você goste e se encontre, como eu me encontrei no Power Soccer", encerra Daiane.
